Must go: Inhotim

Provavelmente você já ouviu falar de Inhotim… Se não, deixe-me lhe apresentar… É o maior centro de arte ao ar livre da América Latina. Sede de um dos mais importantes acervos de arte contemporânea do Brasil. Muitos se referem a Inhotim como museu a céu aberto, mas não gosto de me referir a ele apenas como um museu pois acho que limita e é muito mais que um museu.

Essa foi a terceira vez que fui e, garanto, é sempre uma experiência diferente. Fica em Brumadinho (60km de BH) mas parece que você está num mundo paralelo, tipo Alice no país das maravilhas, sabe?

Inhotim é enorme, imenso, gigante. Um dia não é suficiente para visitar todas as galerias e obras e absorver toda a energia mágica daquele lugar. Mas se souber aproveitar bem o tempo, dá para visitar bastante coisa em um dia inteiro. Lá é dividido em três eixos, um rosa, um laranja e um amarelo, recomendo escolher um e fazer todo o percurso e depois, os demais.

É tanta coisa maravilhosa que fica difícil eleger uma instalação preferida, mas duas obras específicas me chamaram mais atenção e mexeram comigo.

A primeira delas se chama Linda do Rosário, uma escultura da artista Adriana Varejão onde a arquitetura se associa ao corpo, e a “matéria de construção se torna carne”. É uma espécie de “muro vivo”, uma coisa incrível! É, sem dúvida, uma das obras de arte mais incríveis que já vi na vida. Foi inspirada no desabamento do Hotel Linda do Rosário, no centro do Rio de Janeiro, em 2002, cujas paredes azulejadas caíram sobre um casal num dos cômodos do prédio. É uma daquelas coisas que tem que ver. Onde: G7 – eixo laranja.

 

Outra obra que mexeu comigo de forma intensa foi a instalação Através, do artista Cildo Meireles. Desde o final dos anos 1960, Cildo Meireles vem se afirmando como importante voz na arte contemporânea. Seu trabalho é pioneiro no campo da arte da instalação e preza pela diversidade de suportes, técnicas e materiais, apontando quase sempre para questões mais amplas, de natureza política e social.

Através é uma espécie de labirinto construído por meio de objetos e materiais comuns do dia a dia; são objetos utilizados para criar barreiras, com os mais diferentes tipos de usos e cargas psicológicas: desde uma cortina de chuveiro – passando por um arame farpado – até uma grade de prisão, e muitos outros materiais de origem doméstica, industrial e institucional. Esses elementos se organizam geometricamente sobre um chão de vidro estilhaçado que reflete a luz focal do centro e produz diferentes tipos de transparência.

“Por meio de jogos formais com materiais cotidianos, o artista lida com questões mais amplas, como a nossa maneira de perceber o espaço e, em última análise, o mundo.  O convite é que o corpo experimente de perto esta estrutura, descobrindo e deixando para trás novas barreiras. Com sua conformação labiríntica e experiência sensorial de descoberta, Através e seus obstáculos aludem às barreiras da vida e ao nosso desejo, nem sempre claro, de superá-las.” Não preciso dizer mais nada né? Só vivenciando para entender. É permitido caminhar pela instalação, desde que você esteja calçado. Onde: G5 – eixo amarelo.

 

Inhotim é muito mais que um passeio, que um programa, que uma viagem. É uma experiência sensorial (e única), que usa e abusa de todos os nossos sentidos. Vale a pena cada segundo naquele lugar.

Dicas: Vá com um calçado e roupas confortáveis pois você vai andar muito lá. Leve uma garrafa d’água e alguns snacks pra comer no caminho. E não se esqueça do protetor solar. 😉

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Serviço:http://www.inhotim.org.br/