Must read: O Adulto – Gillian Flynn

Definitivamente o melhor livro que li, sei lá, nos últimos dois anos. Sério. Depois de muito ouvir falar sobre a autora Gillian Flynn, devido à série da HBO, Sharp Objects, e após assistí-la e passar raiva com o final (assim como aconteceu com o filme “Garota Exemplar” – também uma adaptação do livro homônimo da autora), resolvi conhecer sua obra para tirar a prova. Mas confesso que tenho um pouco de preguiça de ler livros que já sei o que acontece – ou boa parte da história. Então queria algo novo. Foi aí que descobri “O Adulto” (The Grownup). Que já me chamou atenção logo de cara por ter um título que não diz absolutamente nada. Só pelo título você pode esperar qualquer coisa.

É um conto, ou seja, uma história curta. Você lê em uma sentada. O livro físico tem apenas 59 páginas. Mas Gillian Flynn prova que tamanho não é documento quando se trata de literatura. A escritora constrói uma trama de suspense cheia de surpresas e reviravoltas que lembra um pouco alguns filmes de terror.

Na trama, uma jovem ganha a vida praticando pequenas fraudes, seu principal talento é dizer às pessoas exatamente o que elas querem ouvir. Certo dia, ela atende Susan Burke, que se mudou há pouco tempo para a cidade com o marido, o filho pequeno e o enteado adolescente. Quando visita a impressionante mansão da família e se depara com acontecimentos aterrorizantes, ela se convence de que há algo tenebroso à espreita.

“O silêncio empático é uma das armas menos utilizadas no mundo.”

A personagem central possuiu um humor ácido e gostaria de ser e ter mais do que a vida lhe permitiu. Interessante observar os papéis que ela assume ao longo da história, sem perder a sua essência. As demais personagens também receberam um tratamento especial em sua construção, enriquecendo ainda mais a obra.

O que mais me impressionou foi a construção da trama até o desfecho. A autora soube plantar dúvidas, criar situações e inserir cenários que além de prender a atenção, provocam dúvidas e muita aflição. É um prato cheio para quem é fã de histórias rápidas e intensas ou adora um bom suspense.

À medida que você vai avançando nas páginas, não consegue mais parar e quando pensa que já sabe tudo, PÁ! Dale plot twist! E aí só lendo o livro, mores… Se contar mais, perde a graça! A história é fantástica! Garanto!

Betty Who, uma pop star que você precisa ouvir!

Só dá ela no meu Spotify! Se você ainda não conhece o som dela, não se preocupe, eu também não conhecia até uns dias atrás quando o maravilhoso do Spotify resolveu me sugerir uma música dela, assim, despretensiosamente #sqn. (Obrigado, Spotify ❤️) E não deu outra, eu viciei e tô apaixonado pela Betty e pelo som dela. Chegou chegando na minha playlist e você precisa conhecer!

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Betty Who em show em março deste ano

Jessica Anne Newham, conhecida como Betty Who, é uma cantora e compositora  australiana de apenas 26 anos. Mas Betty não é uma pop star convencional, meses atrás ela rompeu o contrato com sua gravadora (pela qual lançou dois álbuns) e decidiu fazer música de forma independente (maravilhosa, né?) e recentemente lançou um EP com 5 faixas, intitulado Betty, Pt. 1. Ou seja, tudo indica que teremos Pt. 2 em breve!

Com temas típicos do universo pop, letras bem escritas e melodias viciantes, Betty consegue trazer aquele ritmo que nos faz lembrar o pop dos anos 80 e fazer funcionar mesmo nos tempos atuais, com algumas batidas eletrônicas mais populares. Não faltam, em seu repertório, músicas que poderiam e deveriam ser hits, considerando suas “qualidades viciantes”. E o que poderia facilmente ser mais do mesmo, tem aqui uma abordagem autêntica e inovadora do gênero, e, portanto, vale a pena ouvir.

Top 5 favoritas:

  1. Just Thought You Should Know
  2. Ignore Me
  3. Wanna Be
  4. I Love You Always Forever
  5. Just Like Me

Aperte o play!

 

Must watch: This Is Us

Sempre que começo a assistir uma série que me despertou muito interesse, começo um pouco receoso, com um pé atrás, porque a gente nunca sabe o que pode vir pela frente, podemos acabar nos decepcionando, então é melhor nem criar muita expectativa! Mas This Is Us não chega nem perto de decepcionar, pode acreditar! Assisti todos os episódios (um total de 36 contando 1ª e 2ª temporadas) em menos de duas semanas. Não conseguia parar! 

This Is Us acompanha os irmãos Kate, Kevin e Randall, nascidos na mesma data, enquanto suas vidas se entrelaçam. Kate e Kevin são filhos biológicos de Jack e Rebecca, já Randall foi adotado pelo casal após terem perdido o terceiro filho da gravidez de trigêmeos durante o parto. A série apresenta a história da família em épocas diferentes, alternando entre o presente e a infância  e adolescência dos três irmãos.

No elenco estão grandes nomes como Mandy Moore (Red Band Society), Milo Ventimiglia (Gilmore Girls), Sterling K. Brown (The People v. O.J. Simpson), Justin Hartley (Revenge), Chrissy Metz (American Horror Story), Susan Kelechi Watson (Louie), Chris Sullivan (The Knick) e Ron Cephas Jones (Mr. Robot).

Sem roteiros mirabolantes ou algo do tipo, a série foca nos sentimentos mais singelos do ser humano; repleta de histórias do nosso cotidiano, exemplos de vida e superação, dramas pessoais e coletivos… É difícil não se identificar com algum personagem ou situação. A narrativa é sensível e emocionante; de uma forma tão doce e quase que inocente, a série parece te abraçar, te colocar no colo e te deixar quentinho.

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This Is Us

Vamos aos fatos! Imagine uma história simplesmente deliciosa se desenhando à sua frente e que quando você já está apaixonado por ela, pensando que sabe tudo o que tá acontecendo, ela vem, te dá uma rasteira e diz: “Por essa você não esperava!”. Assim é This Is Us. Com temáticas densas, drama e humor na medida certa e diálogos maravilhosos, é impossível não se apaixonar e não se envolver.

Isso sem mencionar a representatividade, uma série que já chega tombando com personagens centrais negros, gordos e, de alguma maneira, fora dos padrões, já merece o nosso respeito e atenção, não é mesmo? O que dizer, então, de uma série que faz isso com tamanha maestria que chega a te deixar constrangido ao te lembrar da crueldade que é viver fora do padrão em uma sociedade sustentada por padrões?

A cereja do bolo fica por conta da trilha sonora cheia de indie e pop, e da fotografia impecável que parece ter saído de algum filtro do Instagram.

Obviamente possui alguns clichês – sempre utilizados de maneira inteligente, e algumas armadilhas no roteiro, mas que só nos damos conta após estarmos segurando uma lágrima ou fungando o nariz.

This Is Us sabe lidar com sentimentos comuns e temas densos de uma maneira muito sábia e delicada, sempre com bastante suavidade, e você pode até tentar conter as lágrimas, mas sinto informar que será em vão, quando você se der conta já estará produzindo rios. Mas em seus momentos leves, nós rimos e nos sentimos ainda mais acolhidos.

Enfim, This Is Us é um prato cheio para quem gosta de um bom drama e de uma história envolvente, que te prende do início ao fim. Tem que assistir! E, ah! A terceira temporada estreia dia 25 de setembro, então corre pra assistir!

P.S. 1: Nenhuma resposta é apresentada na primeira temporada, o que praticamente te obriga a assistir a segunda (que traz novas perguntas rs).

P.S. 2: Para tristeza geral da nação, não está disponível na Netflix 😦 tem que assistir online ou fazer download (mas vale a pena, garanto).

Must go: Inhotim

Provavelmente você já ouviu falar de Inhotim… Se não, deixe-me lhe apresentar… É o maior centro de arte ao ar livre da América Latina. Sede de um dos mais importantes acervos de arte contemporânea do Brasil. Muitos se referem a Inhotim como museu a céu aberto, mas não gosto de me referir a ele apenas como um museu pois acho que limita e é muito mais que um museu.

Essa foi a terceira vez que fui e, garanto, é sempre uma experiência diferente. Fica em Brumadinho (60km de BH) mas parece que você está num mundo paralelo, tipo Alice no país das maravilhas, sabe?

Inhotim é enorme, imenso, gigante. Um dia não é suficiente para visitar todas as galerias e obras e absorver toda a energia mágica daquele lugar. Mas se souber aproveitar bem o tempo, dá para visitar bastante coisa em um dia inteiro. Lá é dividido em três eixos, um rosa, um laranja e um amarelo, recomendo escolher um e fazer todo o percurso e depois, os demais.

É tanta coisa maravilhosa que fica difícil eleger uma instalação preferida, mas duas obras específicas me chamaram mais atenção e mexeram comigo.

A primeira delas se chama Linda do Rosário, uma escultura da artista Adriana Varejão onde a arquitetura se associa ao corpo, e a “matéria de construção se torna carne”. É uma espécie de “muro vivo”, uma coisa incrível! É, sem dúvida, uma das obras de arte mais incríveis que já vi na vida. Foi inspirada no desabamento do Hotel Linda do Rosário, no centro do Rio de Janeiro, em 2002, cujas paredes azulejadas caíram sobre um casal num dos cômodos do prédio. É uma daquelas coisas que tem que ver. Onde: G7 – eixo laranja.

 

Outra obra que mexeu comigo de forma intensa foi a instalação Através, do artista Cildo Meireles. Desde o final dos anos 1960, Cildo Meireles vem se afirmando como importante voz na arte contemporânea. Seu trabalho é pioneiro no campo da arte da instalação e preza pela diversidade de suportes, técnicas e materiais, apontando quase sempre para questões mais amplas, de natureza política e social.

Através é uma espécie de labirinto construído por meio de objetos e materiais comuns do dia a dia; são objetos utilizados para criar barreiras, com os mais diferentes tipos de usos e cargas psicológicas: desde uma cortina de chuveiro – passando por um arame farpado – até uma grade de prisão, e muitos outros materiais de origem doméstica, industrial e institucional. Esses elementos se organizam geometricamente sobre um chão de vidro estilhaçado que reflete a luz focal do centro e produz diferentes tipos de transparência.

“Por meio de jogos formais com materiais cotidianos, o artista lida com questões mais amplas, como a nossa maneira de perceber o espaço e, em última análise, o mundo.  O convite é que o corpo experimente de perto esta estrutura, descobrindo e deixando para trás novas barreiras. Com sua conformação labiríntica e experiência sensorial de descoberta, Através e seus obstáculos aludem às barreiras da vida e ao nosso desejo, nem sempre claro, de superá-las.” Não preciso dizer mais nada né? Só vivenciando para entender. É permitido caminhar pela instalação, desde que você esteja calçado. Onde: G5 – eixo amarelo.

 

Inhotim é muito mais que um passeio, que um programa, que uma viagem. É uma experiência sensorial (e única), que usa e abusa de todos os nossos sentidos. Vale a pena cada segundo naquele lugar.

Dicas: Vá com um calçado e roupas confortáveis pois você vai andar muito lá. Leve uma garrafa d’água e alguns snacks pra comer no caminho. E não se esqueça do protetor solar. 😉

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Serviço:http://www.inhotim.org.br/